Drave – O regresso…a um empeno monumental!

Epic GPS, quer dizer Empeno garantido. Epic GPS organizado pela ECOBIKE, quer dizer Hiper Mega Empeno monumental…

Ainda na ressaca, da aventura de sábado passado, com as pernas ainda bem amassadas, e o com o cérebro ainda meio entorpecido, a qualidade do texto irá certamente sofrer… No entanto não posso deixar de aqui transmitir um conjunto de pensamentos que ainda persistem na minha mente, passados já dois dias desde o evento.
Local: São Pedro do Sul.
Objectivo: Participar na etapa #1 do circuito Epic GPS, organizada pelos amigos da ECOBIKE. Percurso de 50 e poucos km, para visitar Drave, a aldeia desabitada, também chamada aldeia mágica, se calhar porque só alguém com poderes mágicos ali conseguiu viver.

De madrugada começa o dia, e com o despertar às 06:00 da manhã, eu e a minha inseparável directora desportiva, Selfie_olá nos dirigimos a São Pedro do Sul, para poder estar lá antes das 08:00 da manhã, para tentar sair o mais cedo possível para a aventura ciclistica. O dia apresentava-se bastante frio, com promessa de chuva a partir da tarde. Daí ter tomado precauções quanto a esse particular, e ter levado o equipamento mais quente que possuo.
Depois de se ter juntado o grupo com que iria partilhar os trilhos, e foto da praxe,Foto Grupo_o lá decidimos rolar com o objectivo de regressar sãos e salvos. Inicio algo suave e descontraído durante alguns km, até à primeira parede, parede mesmo, que tinha partes com bem mais de 20% de inclinação e que se prolongou por uma serie de km. O meu timoneiro Henrique, sempre bem disposto, e a tirar fotos, ajudava a passar o tempo, e até Regoufe, aldeia mineira nas imediações de Drave a coisa já foi bastante dura, com passagens por sítios com paisagens verdadeiramente deslumbrantes, Paisagem_n e nomes sugestivos, como “Portal do Inferno”,

O meu timoneiro...

O meu timoneiro…

que davam o prenúncio do que mais à frente me esperava. Uma descida até lá (Regoufe), de dificuldade extrema, fica bem marcada na minha memória, por caminho de afiadas e intermináveis pedras, onde a coragem era posta à prova para se poder fazer em cima da bicicleta, facto que deixou de ser possível a partir de determinada altura, pois o vento gelado também se quis juntar à festa, e tomou literalmente conta do volante da bicicleta, não me deixando conduzir a dita cuja, pois era tanta a vontade do vento em guiar, que me obrigou a vir a pé pelo menos 1/3 desta descida.
Os sapatos de ciclismo, nestas alturas, ficam zangados, e como apenas gostam de ir presos nos pedais das bicicletas, reclamam, e tornam a progressão numa espécie de patinagem em cima de calhaus assustadores.
Hora de recuperar forças, comer uma febra gentilmente oferecida pela ECOBIKE, e fazer o que faltava. O GPS indicava +/- 25 km para o final…
Porém, para mim, confesso que foram dos mais duros que alguma vez pude experimentar em cima e ao lado da bicicleta. Ainda só me apetece dizer asneiras e praguejar.
Quem teve já o prazer de visitar Drave a pé, sabe que é um PR de 8 km, desde Regoufe, de dificuldade elevada, pois o caminho nas imediações da aldeia, torna-se um verdadeiro exercício de desafio ao equilibrio.
Quem tem falta de juízo, e decide fazer a viagem de bicicleta, tem dois problemas, o de de se equilibrar em pé, e o de transportar a montada, que se fartava de protestar comigo por a ter levado a conhecer tais caminhos.
Tão zangada ficou, que me proibiu de a montar pelo menos durante mais de 4 km… Já com Drave a alguma distância…

Drave...

Drave…

, pensava que a coisa iria melhorar… Engano brutal, outra parede!!! Por esta altura já fazia cuidadosamente a gestão das pernas, que no limiar das caimbras, não permitiam esforços mais vigorosos, pois à primeira que tivesse, só de guindaste é que conseguiria sair dali. Assim, continuamos a pé, eu e a bicicleta, até ao cafézinho quente, fornecido pela Ecobike,na esperança de que a cafeína pudesse fazer o milagre de me voltar a colocar em cima da KTM.

Intervalo para café...

Intervalo para café…

Devagar… muito devagar, ora pedalando, ora andando, ao longo da subida até ao topo da serra, de cujo nome já não me lembro, começou a prometida chuva, gélida, acompanhada de vento muito forte, o que fez com que os óculos, deixassem de fazer aquilo a que me estão destinados. E a faltarem 16 ou 17 km para o fim começa o verdadeiro martírio. Uma verdadeira tempestade, onde as gotas da chuva pareciam pedras, o vento teimava em guiar a bicicleta, o frio, a visão reduzida, enfim, o verdadeiro sofrimento, e o desafio perfeito à resistência física e mental.
O meu timoneiro, Henrique, por estas alturas já seguia mais à frente, pois está numa forma invejável, e seguia eu sozinho, naquela paisagem dantesca e assustadora à mercê dos elementos da natureza, e onde parar é morrer…Pedal_n
Uma vez no cimo da Serra, decidi terminar seguindo por estrada até São Pedro do Sul, activei a Fuga no GPS, mas ou por erro meu, ou porque o GPS também me queria estragar a festa, fiquei sem orientação, o que trouxe alguma angústia adicional. Felizmente, havia placas indicando o caminho para São Pedro do Sul, e por sorte, era uma descida vertiginosa, onde fui buscar a réstia de forças que ainda guardava, para poder terminar já no limiar da hipotermia, nas instalações do Bombeiros Voluntários de São Pedro do Sul!!! Ali, onde o instinto de sobrevivência me levou, fui espectacularmente bem recebido, Arranjaram-me um local com lareira, para me aquecer, e, após a minha directora desportiva lá ter ido ter, pude trocar de roupa, e já quentinho, dar por terminada a aventura.
De parabéns a Ecobike, por mais uma organização cinco estrelas, onde realço as ofertas da bela da febra, das barras, e do cafézinho, que aliviaram o sofrimento dos cerca de 800 participantes, e pela sua presença constante nos trilhos inóspitos que escolheram. Agora um pedido: Arranjem lá um EPIC mais soft… 😉
Venha o Próximo!!!
GeoDrave 50 on GPSies.com 01-01-2010, Elevação - Distância
Como as imagens valem mais que as palavras, fica video muito fixe realizado, pelos participantes Aregos BTT Team que partilho convosco!

Em resumo:
“Geo Bike Challenge é Alegria, é Esforço, é Dor, é Glória, é Harmonia, é o Desafio, e um teste aos Limites Físicos e Psicológicos, é o contacto com a Natureza no seu estado mais Puro, é Adrenalina Pura é do Melhor que o Desporto em Natureza tem para oferecer!”

Experimentem!

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